Pular para o conteúdo
Vista aérea de uma avenida movimentada cercada de painéis publicitários

Mercado

DOOH no Brasil: o que os dados de 2025 e 2026 realmente mostram

O digital out of home entrou pela primeira vez na série do Digital AdSpend com R$ 4,4 bilhões, o mundo passou de US$ 54 bilhões em OOH e o Brasil aparece como 7º maior mercado. Uma leitura dos números com as fontes na mesa.

Por NuvemLED8 min de leitura

Durante muito tempo, discutir mídia exterior no Brasil significava discutir estimativa. Não havia série histórica consolidada, cada exibidora reportava do seu jeito e o planejamento entrava no plano de mídia por convicção, não por número. Isso mudou em 2026 — e vale entender exatamente o que mudou antes de tirar conclusões.

O DOOH entrou na contabilidade oficial da mídia digital

O dado mais relevante do ano veio do Digital AdSpend 2026, do IAB Brasil em parceria com o Ibope, divulgado em abril de 2026 com dados fechados de 2025. A mídia digital brasileira somou R$ 42,7 bilhões, alta de 12,7% — o segundo maior crescimento da série iniciada em 2020.

A novidade estrutural, porém, não é o total: é que o estudo passou a incluir o digital out of home pela primeira vez, com R$ 4,4 bilhões estimados, calculados a partir de dados de exibidoras parceiras e concentrados em aeroportos, edifícios comerciais e mobiliário urbano.

Entrar na série do Digital AdSpend significa que o DOOH deixou de ser tratado como “mídia complementar” e passou a disputar orçamento dentro da mesma planilha em que estão social, search e vídeo.

Para efeito de comparação, o retail media — o segmento que mais aparece em apresentação de tendência — ficou em R$ 4,8 bilhões no mesmo levantamento. Ou seja: DOOH e retail media estão hoje na mesma ordem de grandeza no Brasil.

No mundo, o digital está prestes a ultrapassar o estático

O Global Out of Home Expenditure Report 2026, da World Out of Home Organization, publicado em julho de 2026, dá a régua internacional:

  • O out of home global movimentou US$ 54,2 bilhões em 2025, alta de 15%, o equivalente a 5,1% de todo o investimento publicitário do planeta.
  • O DOOH sozinho chegou a US$ 25,5 bilhões — 47% da receita do meio — e a projeção é fechar 2026 em 49%, ultrapassando o estático pela primeira vez na história.
  • O Brasil aparece como 7º maior mercado do mundo, com US$ 1,33 bilhão, dentro de uma América Latina de US$ 2,9 bilhões.
  • A negociação programática de DOOH somou US$ 2,1 bilhões globalmente, ainda apenas 8,4% do total — sinal de que a compra do meio continua majoritariamente direta.

Um recorte importante para quem opera no Brasil: a penetração do digital sobre o OOH na América Latina é de 27,7%, contra 55,7% na Ásia-Pacífico e 41,3% na Europa. Estamos atrás — o que, na prática, significa que a curva de digitalização por aqui ainda tem muito espaço para correr.

A digitalização do parque brasileiro

O estudo Panorama Out of Home, da BE180, feito com apoio de JCDecaux, Eletromidia, Clear Channel e da Abooh e divulgado em janeiro de 2025, olhou para o parque instalado: o OOH brasileiro movimentou cerca de R$ 3 bilhões em 2024, com alta de 40,7% na participação de investimento em mídia, e apontava 29% das telas já digitalizadas, com projeção de chegar a uma divisão equilibrada entre digital e estático.

Vale registrar a diferença metodológica: os R$ 3 bilhões da BE180 medem o mercado OOH como um todo, enquanto os R$ 4,4 bilhões do IAB/Ibope medem especificamente o DOOH sob outra metodologia de coleta. São recortes distintos, não números contraditórios — e é exatamente por isso que citar a fonte importa.

Quem compra pretende comprar mais

Do lado da demanda, a pesquisa do IAB Brasil com a Galaxies (maio de 2025, 133 profissionais de mídia, planejamento, marketing, comunicação e criação) encontrou um cenário raro de consenso:

  • 71% pretendem aumentar o investimento em DOOH;
  • 28% pretendem manter;
  • apenas 2% pretendem reduzir.

A mesma pesquisa mostra que 68% usam o meio principalmente para ampliar visibilidade de marca e que 53% preferem comprar via programática garantida.

O que isso significa para um anunciante local

Um anunciante de Maringá não compra US$ 54 bilhões de mídia global. Mas há três leituras práticas nesses números:

  1. O meio deixou de ser exótico. Quando o DOOH entra na mesma série que mede social e search, ele passa a ser comparável — e comparável é o que um comitê de orçamento consegue aprovar.
  2. A digitalização ainda está no meio do caminho no Brasil. Com 27,7% de penetração digital no OOH latino-americano, quem anuncia em painel digital numa praça regional ainda está à frente do comportamento médio do mercado, não atrás.
  3. A concorrência pelo espaço tende a aumentar. Se 71% do mercado profissional pretende aumentar verba no meio, a disponibilidade de grade em pontos bem localizados é o recurso que vai ficar escasso primeiro.

No próximo texto da série, saímos do tamanho do mercado e vamos para a pergunta que realmente decide a compra: o meio funciona? O que a pesquisa diz.

Nota metodológica

Todos os valores citados vêm dos relatórios originais listados ao lado. Os dados do IAB Brasil têm ano-base 2025 e foram divulgados em abril de 2026; os da WOO têm ano-base 2025 e foram divulgados em julho de 2026; os da BE180 têm ano-base 2024. Séries diferentes usam metodologias de coleta diferentes e não devem ser somadas entre si.